No dia 30 de setembro, celebra-se a memória de São Jerônimo, Doutor da Igreja, que dedicou sua vida ao estudo e à tradução das escrituras para o Latim, no que conhecemos como Vulgata. A sua frase mais conhecida é: “Ignoratio enim Scripturarum, ignoratio Christi est” (A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo). Quando não conhecemos, não estudamos e não nos aprofundamos, andamos no caminho da ignorância. Essa afirmação não é apenas um convite ao estudo, mas uma provocação para nos aprofundar no conhecimento de Deus.

          Santo Agostinho, contemporâneo de São Jerônimo, insistia que o proclamador da Palavra deve ser primeiro um ouvinte atento. De nada adianta a voz do leitor ressoar nos ouvidos da assembleia se o seu coração estiver vazio da verdade que proclama. Proclamar a Palavra na liturgia exige uma conversão de atitude. O leitor empresta seus lábios, sua inteligência e sua humanidade para que o Espírito Santo fale à comunidade.

          Assim como o Altar é a mesa do Sacrifício Eucarístico, o Ambão é a mesa da Palavra. A Introdução Geral do Missal Romano (IGMR 309) nos diz que o ambão deve estar em um lugar reservado e de destaque, de onde a palavra de Deus possa ser proclamada com facilidade e ouvida com atenção por todos. Por se o móvel onde se dá a liturgia da palavra (leituras, salmo, evangelho), jamais deve ser usado como bancada para avisos, comentários ou regência de cantos. Respeitar o ambão é demonstrar reverência à própria voz de Deus.

          Para que possamos ter um aprofundamento frutuoso na Palavra, não somente neste mês dedicado à Sagrada Escritura, mas em todas as celebrações litúrgicas, os leitores e coordenadores de liturgia devem assumir alguns compromissos. Se preparar para ler com antecedência, com oração e reflexão (Lectio Divina). Usar os livros litúrgicos destinados para a liturgia, pois expressa o respeito pela Palavra. Ter uma postura corporal digna; manter o tom de voz firme e audível. Recomenda-se também breves momentos de silêncio após as leituras, sem correria, pois o silêncio ajuda na meditação e na intimidade com Deus.

          Quando se proclama a Palavra com zelo em nossas comunidades, ajudamos o povo de Deus a ter um encontro aprofundado com a pessoa de Jesus Cristo. Que estas orientações renovem o compromisso de cada leitor e de todos os fiéis. Que o nosso coração se inflame de fé e as nossas vidas se tornem o testemunho vivo do Evangelho no mundo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 3. ed. Brasília: Edições CNBB, 2018.

CORTES, Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução Geral do Missal Romano. 3. ed. típica. Brasília: Edições CNBB, 2008. (Esp. nn. 55 e 309).

JERÔNIMO, Santo. Comentário ao Profeta Isaías. Proêmio: CCL 73, 1 (PL 24, 17).

VATICANO, Concílio. Constituição Dogmática Dei Verbum: sobre a revelação divina. Roma: Santa Sé, 1965. (Esp. n. 21).

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